quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Tá tudo tão sei lá

Não sei tanto assim sobre ele, pois ele é tão misterioso a ponto de sempre parecer estar escondendo algo. Já eu, que sempre fui de falar demais, eximia o coitado da culpa de nunca falar nada tão pessoal.
Ele é bonito, tem um corpo atlético e quem o vê além da aparência pode notar que há algo interessante nele. Por trás de sua baixa estatura, acredito que há um grande homem lutando pra surgir enquanto o seu eu-menino insiste em ficar. Por trás do seu abdômen sarado, há um cara que tem muito mais a oferecer do que apenas uma noite de prazer. Por trás daquele rostinho de criança, há um cara com problemas e sonhos como qualquer adulto. Problemas e sonhos que ele esconde, apenas pra si, por não confiar em ninguém a ponto de compartilhar.  
Ele tem um estilo surfista e meio desleixado como se fosse um eterno adolescente. Em meio a tantas qualidades, me assusta que elas estejam escondidas a ponto de não serem enxergadas por ninguém. Talvez, nem por ele mesmo.
Ele curte rap, hip hop e até aquela eletrônica que a batida é mais rápida que o coração. Gosta de encontrar nas músicas a realidade. Em um não tão distante passado, ele fazia questão de me mostrar suas novas descobertas musicais e dividir o fone de ouvido entre as aulas chatas do ensino médio. Aquele sorriso esteve na minha cabeça por muito tempo. Os caminhos tortos por onde ele andou, sempre me preocuparam. Ele é assim, vive de um jeito meio louco como se não houvesse amanhã ou contas pra pagar.
Sei lá. Eu já havia deixado isso lá atrás, esquecido, terminado, ignorado como todos os outros casos mal resolvidos que acumulo na vida. Mas, dessa vez, ao invés de me aparecer uma nova pessoa trazendo consigo todo o perigo de uma nova aventura, ele apareceu. Um antigo conhecido do meu coração. Por isso tudo é tão sei lá.
O motivo de estar tudo tão sei lá? Porque após anos ignorando e deixando pra lá, resolvi admitir que quando o vejo ainda fico balançada. Não é amor, não é paixão, é apenas algo estranho que ronda entre a gente. Algo que todos em volta já haviam percebido há muito tempo e nós, por engano ou ignorância, nunca aceitamos ser verdade.

Não dá pra viver nessa de amigos quase amantes. Não dá pra o encontrar e ficar na dúvida de cada movimento que ele vai realizar. Não dá pra o encontrar e o imaginar chegando perto e me beijando sem me perguntar. Tá tudo tão sei lá. E se tá tudo tão sei lá, esse sei lá só vai passar quando a gente enfim ver o que isso tudo pode dar. 

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