domingo, 17 de novembro de 2013

Com quantos pobres se faz um rico?

Toda semana há um novo assunto em pauta na internet. Essa semana o assunto foi sobre um cara chamado Alexander Almeida. O tal cara fez parte de uma reportagem da Veja na qual ele fala os 10 mandamentos do rei do camarote. Todo mundo se assustou com a maneira pela qual a situação é tratada. Todo mundo criticou o cara pelo seu estilo de vida. Realmente, o cara foi um ridículo e essa reportagem totalmente sem noção. Mas, que levantou um tema relevante. 
Nasci no Rio de Janeiro, mas botei meus pés no Leblon pela primeira vez só em 2009. Saí de lá com uma sensação estranha dentro do peito. Uma sensação de não pertencer a aquele lugar. Tudo era diferente: os semáforos, os bancos, os orelhões, os pontos de ônibus, as praças. Aquele bairro parecia um lugar a parte do Rio que eu conhecia. Nunca mais senti vontade de voltar lá. 
Fiquei por anos pensando naquilo. O que aquele Leblon que eu vi tinha de semelhante com o Catumbi que eu morava? Quase nada. Havia uma grande diferença entre as casas, os carros, as ruas, as pessoas. Senti-me um pouco marginal. À margem da sociedade. Que lugar era aquele? Em que mundo eu vivia? Em um mundo em que existe uma discrepância gigante entre o rico e o pobre e que só não vê quem não quer. 
Eu vejo essa desigualdade todo dia. Vejo quando saio da minha casa na favela e vou pra minha faculdade na zona sul. Vejo quando vi a vida que levei, que nem foi lá tão difícil quanto outras e a vida que vejo muitas pessoas levando. Vejo quando faço parte da minoria do lugar onde eu moro que está no ensino superior. Vejo quando eu faço parte da minoria de onde eu moro que ainda não teve um filho aos 19 anos. Vejo quando preciso do auxílio que o governo me dá para frequentar a faculdade. Vejo essa desigualdade no salário da minha mãe. 
O que isso tem a ver com o rei do camarote? Existe uma infinidade de pessoas como ele espalhadas pelo mundo. Em suas casas luxuosas, em seus carros que custam uma casa, em suas roupas que tem o mesmo valor da compra de mês de muitas famílias pobres. Com certeza, existe um monte de pessoas dessas no Leblon. Na Barra da Tijuca. Até na própria Tijuca. Nos bairros ricos de São Paulo que eu não faço a mínima ideia de qual sejam os nomes. 
Para uma jovem usar um short de 500 reais, quantas outras estão usando roupas doadas por alguém? Para um cara ter uma Ferrari de milhões quantos outros tem que pegar o ônibus lotado? Enquanto aquele cara tá indo pra balada de segurança, quantas pessoas estão morando desprotegidas nas favelas? Enquanto aquele cara tá torrando dinheiro no camarote da boate até o infinito, quantas outras estão trabalhando de segunda a segunda para apenas se alimentar? 

Com quantos pobres se faz um rico?

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